forumadmin
07-07-2009, 11:10 AM
A aparente estabilização da economia global deu novo fôlego às conversas sobre novos modelos de regulação do mercado financeiro. Embora decisões concretas ainda estejam muito distantes, há algumas lições que podem ser tiradas da crise financeira atual.
Foi com a ideia de ressaltar essas lições que Andrew Haldane, diretor-executivo para Estabilidade Financeira do BoE (Bank of England), foi até os Estados Unidos, discursar na frente de executivos do Federal Reserve de Chicago.
Segundo ele, o tema que unifica as sete lições aprendidas é o fracasso da informação. "Esta foi uma crise nascida e prolongada pela falta de informação", afirmou Haldane, acrescentando que a prioridade número um deve ser a redução desses fracassos de informações.
Pequenas lições de uma grande crise
Lição 1: Finanças não é a galinha dos ovos de ouro
A primeira lição apresentada pelo diretor é o fato de que o mercado financeiro não pode ser visto como a galinha dos ovos dourados, como aconteceu nos vinte anos entre 1986 e 2006. Os anos seguintes, 2007 e 2008, levaram a uma queda de mais de 80% nas ações do setor financeiro, mostrando que os bancos não são uma máquina de fazer dinheiro.
"Nós devemos aspirar a um sistema financeiro em que há um maior escrutínio regulatório e de mercado dessas máquinas de fazer dinheiro", explicou Haldane. Para ele, é necessário que exista um supervisor sistêmico para impedir que bolhas como as que levaram à atual crise financeira aconteçam novamente.
Lição 2: A não ser que a galinha dos ovos de ouro seja orientada
De acordo com Haldane, por um lado, a crise mostra que os bancos não são assim tão especiais. Porém, por outro, ela destaca uma dimensão em que eles são excepcionais: a alavancagem. Ele explica essa afirmação decompondo o retorno sobre patrimônio líquido dos bancos, que é igual ao retorno sobre ativos multiplicado pela alavancagem.
"O primeiro fator é uma medida da habilidade da gestão em extrair lucros de determinados ativos. O segundo é uma medida da sorte de um apostador em aumentar esses ativos. De fato, o retorno sobre patrimônio é habilidade multiplicada por sorte", argumenta o diretor. Ele explica que, ao longo dos últimos anos, quem tem elevado o retorno tem sido a parte da alavancagem e não da gestão.
Dessa forma, podem ser extraídas duas lições. A primeira é que é necessário ter um foco maior no retorno sobre os ativos. A segunda é que é necessário adotar limites restritos sobre a alavancagem.
Lição 3: Tamanho importa
Olhando para o passado, é possível perceber que a falência de grandes instituições financeiras interligadas, como Fannie Mae e Freddie Mac, Lehman Brothers, Bear Stearns, foi a grande responsável pelo alastramento do pânico no mercado. Também pode-se notar, segundo Haldane, que a percepção de que os órgãos regulatórios ajudariam instituições problemáticas teve um papel importante no incentivo à tomada de riscos de instituições financeiras e pode ter até piorado a situação.
O diretor explica que "em resposta, as autoridades de diversos países recentemente anunciaram a intenção de resolver esse problema do incentivo através de uma melhora no alinhamento regulatório com a importância sistêmica das instituições", porém, ainda não encontraram uma maneira de concretizar isso.
Lição 4: Bancos não "passam" em um teste de estresse
O quarto ponto abordado pelo diretor do BoE é a necessidade dos testes de estresse de instituições financeiras serem administrados com maior dose de realismo. Segundo ele, a escolha de cenários e a determinação de níveis de capital ótimos para as instituições financeiras dentro do teste de estresse é algo subjetivo e não deve ser tratado como uma verdade objetiva.
Lição 5: O encanamento funcionou
"Com o tanto que deu errado durante esta crise, é fácil ignorar o que deu certo. Sistemas de pagamento e ajustes - o encanamento do sistema financeiro - foram dois desses sucessos ignorados. Até onde eu sei, não há exemplos desses sistemas entrando em colapso durante a crise financeira", afirmou Haldane.
Lição 6: Mas alguns encanamentos faltaram
Entretanto, segundo Haldane, houve partes do encanamento faltando. Por exemplo, nas áreas de negociação e liquidação, principalmente em relação a operações nos mercados de balcão, que não possuem os benefícios de uma contraparte central.
Devido a esses problemas, as autoridades dos Estados Unidos recentemente propuseram a extensão da câmara de liquidação central para todos os instrumentos derivativos negociados em mercado de balcão. "Esta é uma medida audaciosa e uma que merece apoio internacional", ressalta o diretor.
Lição 7: Os lucros dos bancos foram o problema - mas agora são a solução
No geral, o impacto da crise sobre a lucratividade dos bancos foi duro, derrubando a capitalização de mercado de instituições globais em cerca de US$ 3 trilhões desde o início da turbulência. De acordo com o executivo do BoE, em parte isso se deve a uma reavaliação dos modelos de negócios dos bancos. Porém, ele explica que, "por mais que pareça fora de moda, é importante que a lucratividade dos bancos se recupere".
No curto prazo, Haldane argumenta que essa é uma condição necessária para que os bancos voltem a gerar crédito. E no médio prazo, ela é necessária para que as instituições paguem aos governos o capital emprestado durante a crise financeira. "A lucratividade do banco pode muito bem ter sido o caminho para a crise atual. Mas ela também pode ser o caminho para sair dela".
Foi com a ideia de ressaltar essas lições que Andrew Haldane, diretor-executivo para Estabilidade Financeira do BoE (Bank of England), foi até os Estados Unidos, discursar na frente de executivos do Federal Reserve de Chicago.
Segundo ele, o tema que unifica as sete lições aprendidas é o fracasso da informação. "Esta foi uma crise nascida e prolongada pela falta de informação", afirmou Haldane, acrescentando que a prioridade número um deve ser a redução desses fracassos de informações.
Pequenas lições de uma grande crise
Lição 1: Finanças não é a galinha dos ovos de ouro
A primeira lição apresentada pelo diretor é o fato de que o mercado financeiro não pode ser visto como a galinha dos ovos dourados, como aconteceu nos vinte anos entre 1986 e 2006. Os anos seguintes, 2007 e 2008, levaram a uma queda de mais de 80% nas ações do setor financeiro, mostrando que os bancos não são uma máquina de fazer dinheiro.
"Nós devemos aspirar a um sistema financeiro em que há um maior escrutínio regulatório e de mercado dessas máquinas de fazer dinheiro", explicou Haldane. Para ele, é necessário que exista um supervisor sistêmico para impedir que bolhas como as que levaram à atual crise financeira aconteçam novamente.
Lição 2: A não ser que a galinha dos ovos de ouro seja orientada
De acordo com Haldane, por um lado, a crise mostra que os bancos não são assim tão especiais. Porém, por outro, ela destaca uma dimensão em que eles são excepcionais: a alavancagem. Ele explica essa afirmação decompondo o retorno sobre patrimônio líquido dos bancos, que é igual ao retorno sobre ativos multiplicado pela alavancagem.
"O primeiro fator é uma medida da habilidade da gestão em extrair lucros de determinados ativos. O segundo é uma medida da sorte de um apostador em aumentar esses ativos. De fato, o retorno sobre patrimônio é habilidade multiplicada por sorte", argumenta o diretor. Ele explica que, ao longo dos últimos anos, quem tem elevado o retorno tem sido a parte da alavancagem e não da gestão.
Dessa forma, podem ser extraídas duas lições. A primeira é que é necessário ter um foco maior no retorno sobre os ativos. A segunda é que é necessário adotar limites restritos sobre a alavancagem.
Lição 3: Tamanho importa
Olhando para o passado, é possível perceber que a falência de grandes instituições financeiras interligadas, como Fannie Mae e Freddie Mac, Lehman Brothers, Bear Stearns, foi a grande responsável pelo alastramento do pânico no mercado. Também pode-se notar, segundo Haldane, que a percepção de que os órgãos regulatórios ajudariam instituições problemáticas teve um papel importante no incentivo à tomada de riscos de instituições financeiras e pode ter até piorado a situação.
O diretor explica que "em resposta, as autoridades de diversos países recentemente anunciaram a intenção de resolver esse problema do incentivo através de uma melhora no alinhamento regulatório com a importância sistêmica das instituições", porém, ainda não encontraram uma maneira de concretizar isso.
Lição 4: Bancos não "passam" em um teste de estresse
O quarto ponto abordado pelo diretor do BoE é a necessidade dos testes de estresse de instituições financeiras serem administrados com maior dose de realismo. Segundo ele, a escolha de cenários e a determinação de níveis de capital ótimos para as instituições financeiras dentro do teste de estresse é algo subjetivo e não deve ser tratado como uma verdade objetiva.
Lição 5: O encanamento funcionou
"Com o tanto que deu errado durante esta crise, é fácil ignorar o que deu certo. Sistemas de pagamento e ajustes - o encanamento do sistema financeiro - foram dois desses sucessos ignorados. Até onde eu sei, não há exemplos desses sistemas entrando em colapso durante a crise financeira", afirmou Haldane.
Lição 6: Mas alguns encanamentos faltaram
Entretanto, segundo Haldane, houve partes do encanamento faltando. Por exemplo, nas áreas de negociação e liquidação, principalmente em relação a operações nos mercados de balcão, que não possuem os benefícios de uma contraparte central.
Devido a esses problemas, as autoridades dos Estados Unidos recentemente propuseram a extensão da câmara de liquidação central para todos os instrumentos derivativos negociados em mercado de balcão. "Esta é uma medida audaciosa e uma que merece apoio internacional", ressalta o diretor.
Lição 7: Os lucros dos bancos foram o problema - mas agora são a solução
No geral, o impacto da crise sobre a lucratividade dos bancos foi duro, derrubando a capitalização de mercado de instituições globais em cerca de US$ 3 trilhões desde o início da turbulência. De acordo com o executivo do BoE, em parte isso se deve a uma reavaliação dos modelos de negócios dos bancos. Porém, ele explica que, "por mais que pareça fora de moda, é importante que a lucratividade dos bancos se recupere".
No curto prazo, Haldane argumenta que essa é uma condição necessária para que os bancos voltem a gerar crédito. E no médio prazo, ela é necessária para que as instituições paguem aos governos o capital emprestado durante a crise financeira. "A lucratividade do banco pode muito bem ter sido o caminho para a crise atual. Mas ela também pode ser o caminho para sair dela".